sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

o verão tragicômico de Tereza


Eram quase seis horas da tarde de verão. Com um pulo ela encarapitou-se na grade da varanda e ameaçou pular.

- Um passo a mais e eu me jogo! – bradou para o namorado, parado na soleira da porta e totalmente surpreso com a loucura.

- Mas vai pular por quê?! O que aconteceu? – essa era boa, a namorada ameaçar pular do segundo andar e ele nem desconfiar do motivo.

- Você não me ama! – e tirou um pé de apoio.

- Pare com isso! Sobe de volta e a gente conversa! Não cometa essa loucura, você sabe que não tem sentido algum!

- Você nunca me amou! – e soltou dois dedos.

Ele estava apavorado. Dava um passo e ela pulava ou ficava parado berrando aos ventos?

- Não faça isso!

O relógio da igreja bateu seis horas. Movidas pelo final do expediente e pela curiosidade, as pessoas começaram a se aproximar. Uma a uma, iam se amontoando nas esquinas, cochichando uns com os outros o que estavam vendo. Depois foi a vez dos moleques surgirem sabe-se lá de onde e correrem para debaixo da varanda da moça. Ela, felizmente para os marmanjos, usava vestido.

- Dona Neusa, olha o que a Tereza está fazendo! Tem cabimento isso? – esbravejou o rapaz para uma das senhoras paradas na esquina da rua.

- Minha nossa Senhora, ela está ficando louca! Não faz isso, minha filha, do segundo andar no máximo você quebra as pernas e aí fica inválida, não é pior? – respondeu a velha, sacudindo sua bengala, ao que foi acompanhada por muitas outras que brandiam suas bengalas.

- Foi o que eu disse, dona Neusa, mas ela não me escuta.

Tereza, enganchada na grade da varanda, olhou-o estupefata. O que as outras pessoas tinham a ver com isso? Era para ser um show só dele.

O rapaz percebeu que a vizinha também se aproximava para observar o ocorrido e ele a chamou.

- Veja a senhora o que a Tereza está fazendo! Ameaça pular porque não a amo. Diz, senhor Benedito, não fui à sua loja comprar flores outro dia para presenteá-la?

- Corretíssimo rapaz, e não há nada mais amoroso do que presentear com flores – concordou o marido da vizinha. As pessoas que ouviam a conversa embaixo, na rua, também concordaram.

- Meu jovem, conte a ela do meu marido! Certamente com o odioso exemplo ela vai mudar de ideia!

- Saia daí, Tereza, sua mãe não vai gostar!

- Tereza, estou ligando para seu pai! O velho vai infartar!

- Pule logo, se é para duvidar de rapaz tão generoso!

- Desse jeito vamos achar que quem não ama é a senhora! – e riram-se todos.

Cansada de tanta zombaria, Tereza gritou:

- Me deixem em paz! – e olhou com olhos desconsolados para o namorado - Por que é que você tinha que fazer isso?

- Tereza, meu amor, você também decide pular da varanda às seis horas da tarde?

2 opiniões:

Anônimo disse...

E no fim... o namorado amava Tereza?

-I.

Tais G. F. disse...

Mulheres tem faro pra esse tipo de coisa... achei ele muito engraçadinho para amá-la mesmo. Mas, também não sei.

 

lacrônico, o espaço das crônicas. © 2010

Blogger Templates by Splashy Templates