segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

condição única do ser humano

Cara consciência, sinto muito, mas não consigo dormir.

Pretendia um momento de descanso, mas você não descansa momento algum. Sempre frenética, sempre ligada. Às vezes incomoda, sabia?

Eu terminei de ler um livro hoje. Terminei, assim como se termina uma refeição. O livro era interessante, a história me prendeu, mas acabou. Não preciso que você me lembre do livro a cada momento. Não preciso me lembrar da história quando estou lavando louça ou, pior, quando gostaria de ter um orgasmo com meu namorado. E isso vale para tudo o que você resgata nas horas mais impróprias: contas a pagar, ligações a fazer, o que me esqueci de comprar no supermercado ou que roupa vestir amanhã.

Portanto, vim formalmente pedir um descanso. Uma trégua. Um tempo de silêncio. Você pode fingir que está em um mosteiro. Pode fingir que cortaram sua língua e que você não tem mais nada a fazer a não ser ficar um tempo em silêncio. Um longo tempo, por favor. Preciso parar de sentir você maquinando tudo o tempo inteiro. Parece que não existe mais nada, não existe coração nem alma nem corpo, só cérebro. Um cérebro inquieto, infeliz com tudo o que vê. Para quê isso?

Só o que quero é paz. Não quero mais responder que não estou bem por motivos que só você conhece, que só você traçou assim. Quero uma liberdade talvez inédita, mas agora necessária.

Então, de todo o meu profundo coração – que você, invariavelmente, nem escuta mais -, fique em stand by. Retornarei a falar com você algum dia.

E boas férias.

1 opiniões:

Nayani. disse...

perfeito seria se a maldita nos escutasse.

 

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